11 de setembro de 2014

G20: Brasil se destaca pelo baixo desemprego

Taxa de desemprego no Brasil no primeiro trimestre deste ano foi de apenas 4,9%, a quinta menor entre os países que fazem parte do G-20

Relatório conjunto da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Banco Mundial (BM) será apresentado na reunião do G20 sobre trabalho e emprego destas quarta e quinta-feiras (10 e 11 de setembro de 2014), em Melbourne (Austrália).

O documento mostra um quadro preocupante para os países desse grupo: a falta de empregos e a criação de empregos de má qualidade está afetando expectativas de retomada do crescimento econômico.

A constatação é de que o mundo sentirá a crise nos empregos pelo menos até 2018, ano em que o número de pessoas empregadas voltaria aos níveis de 2008. Segundo o relatório, o atual modelo de crescimento não favorece a criação de postos de trabalho e é preocupante o desemprego de longa duração, especialmente entre os jovens, desde o início da crise.

Com mais de 100 milhões de pessoas ainda desempregadas nas economias do G-20 e 447 milhões de trabalhadores vivendo com menos de US$ 2 por dia em economias ditas emergentes do G20, o fraco desempenho do mercado de trabalho também ameaça a recuperação econômica, por limitar consumo e investimentos.

O emprego informal também continua a ser um grande obstáculo para a melhoria da qualidade do emprego, especialmente nos países emergentes e em desenvolvimento. Também entre os países ditos emergentes, a alta salarial, que não ficava abaixo de 5,6% a cada ano desde 2010, registrou em 2013 uma perda de força.

No entanto, segundo o informe, a taxa de desemprego no Brasil no primeiro trimestre deste ano foi de apenas 4,9%, a quinta menor entre os países que fazem parte do G-20, taxa muito distante dos 25,3% de desemprego na Espanha e 24% na África do Sul.

Segundo o relatório, o Brasil também se destaca positivamente pelo aumento dos gastos com proteção social, diminuição das desigualdades de rendimento e políticas de aumento do salário mínimo e negociação coletiva, que ajudam a orientar o crescimento ao consumo doméstico e reduzem a desigualdade e a pobreza.

Ainda no Brasil, o que chama a atenção é que, em março de 2014, 60,8% da população brasileira participava do mercado de trabalho, mas em 12 meses esse índice recuou 1,6%, a maior queda entre todas as economias avaliadas.

Também houve quedas na Argentina, Espanha e Estados Unidos. Em mercados como o do México, Coreia do Sul e África do Sul, a taxa de participação aumentou até 1%. Esse fato merece mais atenção dos estudiosos.