6 de maio de 2014

Arturos celebram 126 anos da abolição da escravatura

A Comunidade dos Arturos é um grupo familiar descendente de um antigo escravo de nome Artur Camilo Silvério, composto hoje por cerca de 500 pessoas, que vive há 126 anos no município de Contagem

 Uma das festas mais tradicionais da região metropolitana é a realizada pela comunidade dos Arturos. A Festa da Abolição comemora o fim da escravatura no Brasil e celebra a diminuição do preconceito entre as raças e a cidadania e ascensão dos negros. Neste ano, a programação vai de 6 a 31 de maio, e inclui apresentação de batuque e jongo, exposição de fotografias, guardas de congo e Moçambique, celebração eucarística, festa da matina, com a dança que chama o sol, e encenação e reflexão sobre a abolição, dentre outros.

A Comunidade dos Arturos é um grupo familiar descendente de um antigo escravo de nome Artur Camilo Silvério, composto hoje por cerca de 500 pessoas, que vive há 126 anos no município de Contagem e preserva diversas tradições da cultura negra brasileira como o candomblé, o congado, o batuque, entre outros.

Ela é marcada por encenações que retratam a época do cativeiro, como a cena da quebra das correntes pelos escravos e a assinatura simbólica da Lei Áurea. A Prefeitura de Contagem incluiu as comemorações no calendário oficial do município.

O grupo folclórico-cultural se preocupa em divulgar as suas tradições por meio da música e danças religiosas de origem africana, e que guardam, ainda, a pureza de suas raízes. Eles têm como característica básica a manutenção da cultura negra, recebida dos ancestrais, que é conservada na experiência do sagrado.

As festas religiosas fazem dos Arturos um universo à parte. Considerado um dos mais originais do Brasil, constitui, sem dúvida, grande e importante patrimônio histórico e cultural de Contagem. Todo ritual é sagrado, e a fé se concretiza no vestuário, no instrumento e na dança. Como fator de aliança, a festa é o momento sublime e sacrossanto.

Polêmica

Em abril, como noticiado pelo O TEMPO Contagem, surgiu uma denúncia nas redes sociais de que a comunidade dos Arturos estaria sendo impedida pelo padre da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, no bairro Alvorada, de realizar a tradicional festa da Abolição, no mês de maio. Procurado, o padre da Paróquia, Antônio José Goveia, que teria sido alvo da reclamação, afirmou se sentir desconfortável com a situação, e ao mesmo tempo surpreso, já que não teria, em momento algum, impedido a realização da tradicional celebração. A confusão começou depois que ele teria sugerido a realização do festejo em um espaço que pudesse acomodar melhor as pessoas, em frente à igreja, já que durante a celebração muita gente comparece ao local para prestigiar a tradicional manifestação.

Logo que soube do acontecido, a presidente da Fundac, Renata Lima, se ofereceu para mediar as conversas, e marcou uma reunião com a comunidade e o padre Goveia, na última quarta (9), esclarecendo, assim, a situação.

O padre Goveia também esteve na redação de O TEMPO Contagem, junto com João Batista da Luz, representante da comunidade dos Arturos. Eles reafirmaram que não houve nenhuma confusão ou tentativa de impedimento da realização da Festa da Abolição, e disseram que as denúncias publicadas nas redes sociais não procedem.

Curiosidade

Você sabia?

Os Arturos descendem de Camilo Silvério da Silva que, em meados do século XIX, chegou ao Brasil em um navio negreiro vindo da Angola. Hoje, em sua quarta geração, fazem parte da comunidade 80 famílias, cerca de 500 pessoas.