5 de maio de 2009

A polêmica do “Auxílio-Paletó”

Alguns dizem que não consta que este auxílio seja para a compra de terno

Por Pe. Júlio César Gonçalves Amaral
Pároco da Paróquia São Joaquim e Vigário Episcopal da Região N. S. da Esperança

Chamou-nos a atenção, os meios de comunicação noticiarem que os vereadores de Contagem recebem auxílio-paletó, quando a Câmara não exige o uso deste traje. Trata-se de um auxílio mensal de R$ 1.500,00, o que corresponde a R$ 18.000,00 por ano e R$ 72.000,00 por mandato.

Alguns dizem que não consta que este auxílio seja para a compra de terno. Todavia, ninguém consegue explicar, satisfatoriamente, qual seria, então, a finalidade desta verba extra. Certamente ela é usada para cobrir gastos decampanha, privilégios pessoais ou fazer favores eleitoreiros, perpetuando a política clientelista que reina em Contagem. É bom lembrar que os vereadores recebem um salário bruto de R$ 9.200,00, além de outros recursos como, por exemplo, para manutenção de gabinete e contratação de funcionários. A polêmica veio à tona pelo fato do vereador Obelino Marques (PT) abrir mão do recebimento deste auxílio por considerá-lo indevido. Argumenta que considera o recurso inadequado, já que não é cobrado o uso de terno e gravata em plenário. Ele explica que, na prática, o extra rende aos parlamentares uma espécie de décimo quarto salário diante do montante recebido e que sua atitude faz parte de uma promessa de campanha. Com isso, tem atraído a ostilidade dos colegas que o consideram demagogo e hipócrita.

Cabe à opinião pública avaliar a questão. Como Ministro da Igreja Católica não represento nenhum partido ou parlamentar, mas a Igreja sempre se coloca do lado da defesa da Vida, da promoção da Justiça e da ética na Política. Não há dúvida de que este recurso é um abuso pago com dinheiro que sai do nosso bolso. Pode ser legal, por constar em algum regimento ou lei, mas não é legítimo, pois se trata de um privilégio, de algo indevido. Penso que os parlamentares deveriam prestar contas de tudo que eles recebem e dos seus gastos já que lidam com recursos públicos. A maioria das pessoas nem sabe quanto ganha o vereador que votou. Por essas e outras faz-se urgente o movimento pela ética na Política tão defendido pela Igreja. Faz parte da democracia poder discutir o que é devido ou não na gestão pública. É direito legítimo dos parlamentares recusarem aquilo que consideram injusto ou abusivo. Carecemos de uma Política e Políticos com “P” maiúsculo.

Publicado no Jornal Gazeta Comercial em maio de 2009.